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Teoria U: uma nova liderança para inovação disruptiva

A Teoria U pode te trazer engajamento e sucesso para a sua equipe em seus projetos de inovação. Conheça mais e tenha insights valiosos!
 Rafael Wild  |      21/02/2020Teoria U: uma nova liderança para inovação disruptiva

A Teoria U pode ser a resposta para você que tentou e não conseguiu engajar e ter sucesso com sua equipe em seus projetos de inovação. Isso mesmo: acredito que a Teoria U poderá trazer insights valiosos para você de como desenvolver uma liderança mais eficaz, humanizada e que ajude a “destravar” possíveis barreiras para a inovação.

Falar que vivemos uma era de grandes transformações já virou clichê. No entanto, aceitar e aprender como lidar com a incerteza dos mercados atuais ainda é uma grande incógnita.

Essas grandes transformações nos trazem esperança e motivação, pois estão relacionadas com novas tecnologias que, em teoria, podem nos ajudar a solucionar grandes desafios globais como: fome, mobilidade urbana, saneamento básico, déficit de moradia, etc.

No entanto, de forma ambígua o cenário atual também reflete crises ecológicas, econômicas e políticas por todo o mundo. Mas então, por que nós, individualmente, estamos criando resultados coletivos que ninguém quer?

Foi a partir de questionamentos como esse que o economista Otto Sharmer, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), fundou o Presencing Institute em 2016 e começou a compartilhar os resultados de suas pesquisas com a metodologia da Teoria U. Você conhece essa metodologia?

Teoria U: um novo paradigma para inovação

Os modelos mentais, que moldaram o nosso pensamento econômico e social até hoje, estão se tornando obsoletos, o que Otto chama de economias da destruição. A criação de um novo modelo, de uma economia da criação, só é possível se deixarmos de seguir os padrões que nos prendem ao passado e iniciarmos a transformação a partir do futuro emergente. 

Para conseguirmos inovar sem olhar para o passado e sem se limitar a confortável área de conhecimentos já conhecidos e conseguirmos explorar o verdadeiro desconhecido, Otto Sharmer propõe um mergulho reflexivo para abrir mão do pensamento individualista e restritivo, passando para um modelo coletivo e libertador

Essa metodologia permite que empreendedores, gestores e organizações suspendam essa lógica tradicional, muitas vezes automatizada, de estarmos no mundo e de interagirmos com ele. Em contrapartida, a Teoria U nos mostra como podemos nos conectar com fontes mais profundas e sistêmicas de sabedoria e criatividade, possibilitando a exploração do futuro que queremos criar por meio da prototipação rápida.

Talvez você esteja pensando: “Que papo de hippie”. Sim! Esse já é um pensamento limitante muito comum, por sinal!

Então, vamos entender como a Teoria U funciona!?

Teoria U: todo o processo

A metodologia da Teoria U é uma jornada coletiva, que envolve nossa relação com a sociedade e, ao mesmo tempo, é individual, o que nos cobra maior autoconhecimento. 

Essa jornada contém 4 etapas. Pensando na forma de U, passamos pelas etapas uma vez quando “descemos o U” no mergulho inicial e chegamos ao “fundo do U”. Passamos novamente pelas 4 etapas durante a “subida do U”, ao voltarmos desse mergulho. Essas etapas são:

  • Comum
  • Mente Aberta (Open Mind)
  • Coração Aberto (Open Heart)
  • Vontade Aberta (Open Will)

Vamos entender como realizamos essa jornada!

Primeiramente, você deve fazer a “descida do U” realizando uma imersão verdadeira  em si mesmo e ao mesmo tempo nos locais e situações que estão intimamente ligados com a questão a qual você pretende inovar. Esse processo envolve muito atos de observar, sentir e refletir sobre as situações.

teoria-u

Matriz da Teoria U. Fonte: Company Hero

Etapa Comum na descida: Downloading

O processo começa no ambiente cotidiano comum. Nele, ainda estamos muito presos ao passado, realizando o download de informações e conhecimentos antigos para realizar nossas ações. 

Etapa Mente aberta na descida: Observar

Para continuarmos esse mergulho, precisamos lutar contra nosso ego num nível mais racional, abrindo nossa mente para SUSPENDER nossos pré-conceitos enraizados no passado.

Queremos nos conectar com o que está ao nosso redor e observar os fatos com um novo olhar. Aqui, lutamos contra as vozes do julgamento, e buscamos deixar ir a maioria de nossos “achismos” e juízos precipitados.

Etapa Coração aberto na descida: Sentir

Seguimos nossa descida do “U” intensificando a luta com nosso ego. Dessa vez, é preciso abrir nosso coração para excluirmos nosso egoísmo e REDIRECIONAR nosso foco. Assim, deixamos de olhar para nosso próprio umbigo e entendemos quais as reais necessidades que precisam ser atendidas para o bem comum ou para atender a todos os stakeholders de um projeto ou empresa.

Para vencer essa etapa, precisamos lutar contra as vozes do cinismo, nos importando genuinamente com os fatos que observamos. Ao redirecionar o foco, retirando-o de nós mesmos, conseguimos sentir o que é realmente importante para a questão que está sendo trabalhada.

Etapa Vontade aberta na descida: Deixar ir

O próximo passo é nos entregarmos ao processo e lutarmos contra as vozes do medo!

“O sucesso de uma intervenção depende da condição interna do interventor” - Bill O’Brien

Nesse momento, precisamos recuar e refletir, nos permitindo uma nova abordagem da realidade. Se trata de construir uma nova perspectiva de nós mesmos, muitas vezes. Esse é o PRESENCING, onde integramos mente, coração e vontade ampliando nossa presença e atenção e alcançando maior conexão conosco, com o mundo externo e com as potencialidades que se apresentam.

Etapa Vontade aberta na subida: Deixar vir

Nesse aprofundamento, atingimos maior sensibilidade e ativamos nossa intuição mais do que dados analíticos. Essa nova sensibilidade nos ajuda a visualizar qual poderia ser a melhor solução para o problema em questão.

Etapa Coração aberto na subida: Cristalização

Quando entendemos o real propósito do nosso projeto, fica fácil atrair pessoas e oportunidades para potencializá-lo. Agora precisamos CRISTALIZAR nosso propósito, para compartilhar e convocar pessoas para o novo desafio.

Etapa Mente aberta na subida: Prototipação

Depois de conhecer o propósito, chegou a hora de dar vida às novas soluções. É o agir e deixar que o futuro se manifeste da melhor forma, buscando o feedback constante para iteração dos protótipos. 

Etapa Comum na subida: Performance

Uma nova realidade se fez presente. Agora é hora de performar através da prática, pois apenas a teoria não trará mudanças reais em nossos comportamentos.

Teoria U: sinergia com outras metodologias

Não sei se durante a leitura ficou claro para você, mas todo o processo da Teoria U está intimamente ligado com algumas outras metodologias que para serem bem aplicadas demandam que a gente percorra a jornada do “U”.  Vou falar rapidamente dessa sinergia!

Teoria U e o processo de Discovery

É praticamente impossível realizar processos de Design Thinking e até mesmo Lean Inception se não lutarmos contra as vozes do julgamento e do cinismo para nos permitirmos abrir mão do que já conhecemos e estarmos abertos às possibilidades que o futuro aponta.
Para criar algo genuinamente novo e ter uma inovação disruptiva é preciso mais atenção. Mais que empatia, é preciso mais presença, mas ainda existem muitos empreendedores e líderes que não conseguem se entregar verdadeiramente ao processo. Tentam criar inovações a partir do mesmo lugar, dos padrões mentais já existentes, que seguem lógicas que impedem, justamente, o novo emergir.

Teoria U e a metodologia OKR

Se você conhece a metodologia OKR, você deve lembrar que ele é realizado a partir de um acordo entre um alinhamento estratégico top-down. Isso começa com a escolha - de cada pessoa e equipe - do próprio caminho que desejam realizar para conquistar aqueles objetivos comuns da empresa, fazendo o movimento bottom-up equilibrar as “forças” entre esse acordo e potencializando o engajamento de toda a equipe.
Você já se perguntou por que os OKRs são estruturados dessa forma? Vou dar um exemplo para construir uma resposta bacana.   

Se você é líder de equipe, provavelmente já passou por alguma situação em que seu time foi resistente às mudanças sugeridas, não é mesmo?!  Por que será que isso aconteceu? Será que você não é um bom líder?

Nada disso. Se pensarmos assim, estaremos caindo na famosa síndrome do impostor, caracterizada pela incapacidade das pessoas acreditarem nas suas próprias competências. Uma pergunta a se fazer é: seu time estava diretamente envolvido na elaboração e raciocínio por trás de sua decisão?

Quando seu time não participa de forma ativa da estruturação do raciocínio para uma proposta de mudança, ele não se sente parte daquela nova lógica e não se sensibiliza pelo motivo e propósito daquela mudança. 

Esse é, provavelmente, um dos principais problemas enfrentados por gestores que não conseguem engajar sua equipe: o time não consegue entender o quão importante aquilo é numa escala muito maior do que o seu cotidiano.

Percebeu a conexão com a proposta da Teoria U de propor transformação através da vivência e formar times com um propósito comum cristalizado!?

É isso, pessoal! Termino o artigo mostrando que a Teoria U é uma metodologia que nos ajuda a entender como podemos formar times mais produtivos, com um propósito comum e realizar inovações disruptivas nos desfazendo de preconceitos e barreiras do ego.

Se quiser seguir aprendendo novos conhecimentos de gestão para aplicar na sua empresa, acompanhe nosso blog. Tem este artigo aqui que pode ser muito útil pra você! Fico por aqui e até o próximo artigo!

Rafael Wild
Rafael Wild
Agile Coach - Company Hero